Eu não sei quanto a vocês, mas, durante muito tempo da minha vida, ouvi dizer que ´O Poderoso Chefão´ era o clássico dos clássicos, o supra sumo dos filmes de máfia. De fato, a imagem da família Corleone ecoa na mente dos cinéfilos e amantes de filmes do gênero, mais ou menos como ´E o vento levou´ é para os românticos inveterados e fãs de épicos. Justamente por causa disso, na maioria dos filmes sobre máfia que eu assisti, eu sempre procurava uma referência à trilogia clássica e sempre cheguei à mesma conclusão: ´O Poderoso Chefão´ é uma obra prima, não tem como negar.
Mas, a superestimação de um filme, faz com que, na maioria das vezes, você ache que tudo que foi feito depois dele, é mera cópia ou referência descarada aos diálogos, ao roteiro, aos personagens do filme. Em O Gângster (American Gangster/EUA/2007) tem sim uma vibe Vito Corleone no ar, mas, se desfaz rapidamente pela presença de Frank Lucas (Denzel Washington) o cara negro que se torna uma espécie de manda-chuva do submundo das drogas na década de 60, por distribuir pelas ruas a heroína mais pura que Manhattan já viu, colocando os italianos e outros ´distribuidores´ no chinelo. Mas, Frank diferente de todos os outros senhorios do comércio de drogas, é discreto e apegado aos valores familiares, tanto, que traz literalmente toda a família para Manhattan para trabalhar com ele no ´negócio´. Na cola de Frank, policiais corruptos pipocam ao longo do filme, mostrando que o mundo do crime não é mais obscuro que a corrupção do sistema policial. A performance de Denzel Washington chega a ser igual ou superior à que lhe rendeu o Oscar por ´Dia de Treinamento´, tamanho carisma e profundidade que empresta a seu Frank Lucas. O que contribui para a dobradinha que faz com Russel Crowe, o policial honesto que consegue desbaratinar a rede de drogas de Frank. Russel Crowe, quando bem dirigido e dividindo a cena com atores como Denzel Washington consegue fazer com que eu o admire. O Gângster prima também pela bela fotografia setentista e pelo figurino impecável dos personagens, em especial os ternos alinhados de Frank Lucas. Fazendo dele um legítimo gângster americano, com muita frieza, porém, com elegância e requinte.
Se O Gânsgter não é melhor que ´O Poderoso Chefão´, é simplesmente porque chegou bem depois. Vai para a prateleira dos clássicos.
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