Porque, todo filme é bom, o que atrapalha é a crítica. Ou não?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O amor nos tempos do cólera




Já tentei várias vezes ler o livro de Gabriel Garcia Márquez e nunca consegui. É sério, nunca passei da página 30. Aliás, o pouco que eu li do livro já era suficiente para saber que a história de amor dos jovens Florentino e Firmina não iria se concretizar tão cedo. Enfim, coisa de romance épico e de escritor denso demais. Então, quando assisti ao trailer no cinema, me empolguei com a idéia de finalmente poder conhecer o desenrolar da trama e o fim dessa história. Não vi no cinema, pois passou no circuito aqui de BH mais rápido que alguns filmes indicados ao Oscar, e pelas críticas nada boas que li, resolvi esperar mesmo pelo lançamento em DVD.
Pois bem, a história é sobre os dois jovens Florentino Ariza (Javier Barden) e Firmina Daza (Giovanna Mezzogiono) que se apaixonam perdidamente e são impedidos pelo pai da moça de se casarem. Isso, porque Florentino é apenas um rapaz pobre que trabalha em uma agência dos correios, enquanto Firmina é filha de um promissor homem de negócios da região. Alguns anos se passam e Firmina se casa com um médico influente (vivido por Benjamin Bratt) enquanto Florentino passa seus dias à espera de uma chance (no caso, a morte do marido de Firmina) para que se case com ela.


O que mais me assusta nessa adaptação para as telas, não são nem as atuações. Tirando o Florentino chato de Javier Barden, os atores estão até muito corretos, (Fernanda Montenegro inclusive) mas, sim, o climão do filme, do tipo 'filme para inglês ver'. É sério, a história se passa na Espanha e todos os personagens falam inglês. Nada contra se todos os atores envolvidos na produção não fossem de origem estrangeira, ou seja, um desperdício de inglês com sotaque. Seria mais verossímel se o filme fosse em espanhol. Em contraste com o 'espanglês' do elenco, temos uma trilha sonora que, por si só já faz com que os espectadores torçam o nariz: todas as músicas são interpretadas por Shakira, e em espanhol.
A maquiagem é outra atrocidade cometida nesse filme. Apesar da boa atuação de Giovanna Mezzogiono como Firmina, é impossível não reparar na maquiagem meia-boca que usaram para envelhecer a atriz mostrando a passagem de tempo da personagem. É sério, será que um orçamento de 45 milhões não pagaria um bom profissional?
Gabriel Garcia Márquez demorou tanto tempo para vender os direitos do livro para adaptação, e ele próprio revisou o texto, segundo fontes ligadas ao filme, mas o diretor Mike Newel (Harry Potter e o Cálice de Fogo/ Quatro casamentos e um funeral) não deu conta do recado. O filme soa caricato, fazendo com que o principal elemento que move toda a história, o amor, seja apenas um coadjuvante entre as muitas cenas de Florentino na cama com outras mulheres à procura de redenção pelo sentimento perdido no tempo. O filme é chato e longo demais. Decepção.

5 comentários:

helen disse...

Pôxa,mas eu gosto da Shakira...
Mas em trilha de filme deve ser de doer, admito.

Esse livro é chato, amiga, muito chato. Não tinha como o filme ser diferente. E olha que eu adoro literatura, heim! Só que detesto pedantismo.

bju!

Rafael Carvalho disse...

Fabiana, Gabriel García Márquez é responsável pelo melhor livro que eu já li na vida: Cem Anos de Solidão. Sou fã incondicional do escritor e O Amor nos Tempos do Cólera, o livro, é maravilhoso, vale muito a pena ler. Já o filme peca por ser frio e distante demais. Para adaptar García Márquez é preciso ter paixão, tesão pelo texto e isso falta muito a Mike Newell. O cara não tem personalidade e aí a película ficou aquilo lá. Nem a Fernanda Montenegro eu achei tão boa assim. Decepção mesmo.

Charlotte disse...

O livro é absolutamente fantástico, dos melhores que já li, devo dizer.
Não te deixes influenciar pelas primeiras páginas, o melhor não anda por aí... ;)
Não achei o livro nada "chato" à excepção do seu início, mas isso são, claro, opiniões.

Joao Pasqua disse...

A história não se passa na Espanha, erroa grave da sua crítica. Mas sim em algum lugar do Caribe, repare nas selvas, nos rios, no lugar onde Firmina se refugia. A atmosfera caribenha é constante em todos os livros do Garcia Marquez, acho que o filme nao conseguiu atingir essa atmosfera tão bem. No resto concordo com a sua crítica, atores nativos da lingua espanhola falando inglês prejudicou muito o filme. Tem um video no youtube onde o Garcia Marques compara o Cem Anos de Solidão e O Amor nos tempos do Colera. Dá uma boa previa do que este livro representa.
abraços

Heitor Santiago Cruz Lóris disse...

É sério? Você lê 30 páginas de Gabriel Garcia Marquez e acha ele denso? O que você tem lido? Aquela autora do Crepúsculo? Cara, sem condições de eu voltar aqui pra ler suas críticas. Se é que se pode chamar isso de crítica. Ah! E não é na Espanha que o filme se passa...É em algum lugar ao norte da América do Sul, provavelmente Colômbia, terra do autor. Bom de resto, aprecio sua sinceridade ao delatar sua capacidade de leitura e critica rasa...