Porque, todo filme é bom, o que atrapalha é a crítica. Ou não?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Onde os fracos não tem vez



Dentre todas as críticas que li sobre o filme dos irmãos Coen, uma que não me saiu da cabeça foi a que disse que o filme talvez não tivesse um final. E foi pensando nisso, que assisti ao filme.
A adaptação do livro de Cormac McCarthy, um faroeste moderno, traz para as telas Anton Chigurh, um assassino sanguinário praticamente saído de um filme de terror interpretado por Javier Barden. Um jogo de gato e rato que, levando em conta o título original do filme, praticamente entrega o desfecho de bandeja para o público: ‘o cowboy caçador Llewelyn Moss (vivido por Josh Brolin) não tem a menor chance’.
Na contramão, temos o xerife vivido por Tommy Lee Jones, que surge como um mero coadjuvante no início do filme e cresce à medida que o filme atinge o seu clímax (ou seu anticlímax).
No final das contas, temos um suspense totalmente excelente até a metade do filme e um drama da metade pro fim que faz com que se perca todo o fio da meada. Mas, eu acho que a intenção é essa mesma. Quando o letreiro sobe, fica uma interrogação e essa sensação de que o filme não teve mesmo um final. E talvez nem tenha mesmo.
Desde o princípio do filme, é de se esperar um desfecho nada feliz para os personagens, levando em conta que, logo na cena inicial o assassino Anton Chigurh mostra logo a que veio.
Eu não sei se ‘Onde os fracos não tem vez’ mereceu mesmo o Oscar. O trio Javier Barden, Tomy Lee Jones e Josh Brolin são excelentes. Mas, desfecho anticlimático por desfecho anticlimático, os fãs dos irmãos Coen que me desculpem, mas, eu ainda prefiro ‘Sangue Negro’.

Ficha:
Filme: Onde os fracos não tem vez (No Country for Old Men/EUA/2007)
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Tomy Lee Jones (Ed Tom Bell); Javier Barden (Anton Chigurh); Josh Brolin (Llewelyn Moss); Woody Harrelson(Carson Wells); Kelly Macdonald (Carla Jean Moss).
Trailer aqui.

Ganhou 4 Oscars, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem) e Melhor Roteiro Adaptado.

10 comentários:

Rafael Moreira disse...

Eu Até gostei do filme, Fabiana. Mas achei que foi aclamado demais sem merecer tanto e filmes como "Sangue Negro" foi deixado de lado...

4 estrelas.

Abraço!

Garota no hall disse...

Sou fanática pelos Irmãos Coen e só não gosto muito de dois filmes deles (Matadores de Velhinhas e Intolerable Cruelty - aquele do Clooney e da Zeta-Jones, nunca lembro o nome em português). Mas... também prefiro Sangue Negro, em termos de narrativa. Entretanto, quando analiso ambos como obras de arte, os Coen mostram um domínio soberbo da linguagem cinematográfica. Aquela ausência de trilha é muito mais brilhante do que a barulhenta e muitas vezes dispensável trilha de Jonny Greenwood para o filme do PT Anderson.

gustavo disse...

Bom, não sei qual dos finais eu gosto mais... Talvez "Sangue Negro" fique mais na memória pela tragédia e as interpretações animalescas do Day-Lewis e do Dano!!!

Não acho que o filme não merecesse o oscar... até pq é sempre muito baum ver um filme anti-estética-oscar vencer!

E não entendo o porquê do filme não ter o final... :/
Vou ter que assistí-lo novamente...

Cecilia disse...

Eu prefiro Sangue Negro, pela direção, pelo arco narrativo, pelo Daniel Day Lewis, pelo Paul Dano. Mas pode-se dizer que este também não possui um final. Assim como "Fracos", acredito que não há necessidade de ter um finalzinho certinho. O importante é o meio, o "recheio" da vida desses personagens, o que determinado ponto da história influenciou em suas vidas. Por isso achei "Fracos" fantástico. Afinal, o Tommy Lee Jones (esqueci o nome do personagem) percebe que realmente ele não tem chance alguma, que o mundo mudou demais para ele agüentar. Nesse contexto, até me identifico. As atrocidades são tamanhas - e a cada dia piores -, que não resta muito se não ficar "bege", como ele mesmo ficou ao final.

Não sei se fiz sentido, mas é isso aí. =P

Alexandre disse...

Eu quero ver esse, e "Sangue Negro" (tô desatualizado). Não sei porque mas esse personagem do Tommy Lee deve ter um "q" do policial de "O Fugitivo", ou estou errado? rs

fabiana disse...

O Tomy Lee Jones ~e sempre o Tomy Lee Jones, néam! Tá no piloto automático, mas, tá bacana!

Johnny Strangelove disse...

Poxa Bibi
Adoro esse filme ... mereceu ganhar o Oscar de Melhor Filme.
Sangue Negro é belissimo, mas é tradicional ... já Onde não ... belissimo em todos os sentidos ...


Abraços

Quéroul disse...

hype.

sangue negro é mais legal pra mim, mas eu nem desgostei desse não.
só achei falado demaaaaair e é meio que normal, acho.

Rafael Carvalho disse...

Desde quando eu vi o filme no início do ano, ele não saiu do topo da minha lista de melhor do ano. Pra mim é uma obra-prima sobre a mudança que o tempo provoca na sociedade e no ser humano. Uma pérola dos Coen. O filnal anticlimático me deixou perplexo. Mereceu muito o Oscar, embora Sangue Ngro seja um filmaço!

E eu tenho medo do Chigurh!!!

sofia martínez disse...

Muito bom filme. Sem dúvida, os irmãos Coen conseguiram uma adaptação muito fiel, mas com este filme, há um paradoxo na sua construção na relação entre forma e substância que causa aparente parece uma fita muito simples para o seu enredo, o que não parece silencioso e até mesmo a sua história é um pouco confuso, mas não por isso se torna uma obra-prima que gere a linguagem cinematográfica com perfeição. Além do elenco é de luxo, Tommy Lee Jones, Javier Bardem e Kelly Macdonald, que era digno de prêmio SAG por sua grande desepemeño neste filme.