Porque, todo filme é bom, o que atrapalha é a crítica. Ou não?
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cisne Negro



Cisne Negro (Black Swan/EUA/2010) não é sobre a paixão da bailarina pela dança. É o mergulho total de uma bailarina na sua arte, sua entrega física, mental e emocional. É sobre ser obsecada pela perfeição, pela auto-disciplina, pela arte.
O filme retrata a vida da bailarina Nina (Natalie Portman) diante da maior oportunidade da sua carreira, ser a protagonista do clássico Lago dos Cisnes. Mas, ser a rainha do lago tem seus desafios, e o medo de não corresponder às expectativas da Companhia de dança, o receio de falhar e a pressão de ser substituída por alguém mais jovem, fazem com que Nina mergulhe em seus sentimentos mais íntimos e comprometa sua estrutura emocional.
A delicada Nina de Natalie Portman, nada mais é do que o melhor papel de sua carreira até hoje. É como se todas aquelas sequências de Star Wars e os filmes de Luc Beson no início da carreira não fizessem nenhum sentido. Natalie é a beleza e a ingenuidade do cisne branco e assustadoramente a personificação do cisne negro quando se transforma. Aliás, a metamorfose da personagem ao longo do filme é devastadora e vai muito além de uma transformação física. É uma transformação interna, que se expressa sem palavras, só através da dança.
O filme é belíssimo em todos os sentidos, na sua fotografia sombria, na direção de arte primorosa, na trilha sonora que faz do tema de Tchaikovski brilhante e finalmente pela direção de Darren Aronofsky que arquitetou tudo de forma perfeita.
É injusto pensar só em Natalie Portman no Oscar, uma vez que tudo em Cisne Negro é digno de aplausos após a cena final.
Ainda não vi todos os filmes do Oscar (e olha que os que eu vi são totalmente excelentes), mas, fica muito mais difícil pensar em algo melhor que Cisne Negro levando a estatueta dourada de melhor filme, direção e atriz esse ano.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Curtas - Parte 1

Para não dizerem que passei 2010 sem nenhuma critica que o valha, separei algumas resenhas de alguns filmecos que assisti esse ano.


A Última Música (The Last Song/EUA/2010)




Romance farofa com a Miley Cyrus (aka Hannah Montana) sobre uma adolescente revoltada com o divórcio dos pais, que vai passar as férias de verão com o pai (Greg Kinnear, a única atuação descente do longa) e o irmão Jonah (Bobby Coleman, de ´Ensinando a viver´, crescido e fofo). Durante as férias, a garota conhece Will, tipo um Backstreet Boy versão 2010 e vive um inesquecível romance de verão.
Eu achei a trilha sonora bonitinha, sobretudo a música tema cantada pela Miley/Hannah Montana, que se não surtar como Britney e Aguilera, tem tudo para sair do esteriótipo ´musa da galerinha do Disney Channel´ e se tornar uma cantora competente. O filme tem lá seus encantos, como as cenas em que o irmãozinho pentelho Jonah e o pai observam a aproximação da irmã e do namorado, além das conclusões ótimas de pai e filho sobre as mulheres, mas história em si é uma bobagem e a escalação de Miley para papel principal é um equívoco.


Karatê Kid (Karate Kid/EUA/2010)


Apesar do roteiro xarope do garoto que se muda com a mãe para o outro lado do mundo e sofre o pão que o diabo amassou na mão dos bad boys da escola/vizinhança, até encontrar um cara bacana que do nada decide ajudá-lo, lhe ensinando toda a sabedoria das artes marciais e fazendo do garoto um gênio do Kung -fu, além, claro, da mocinha mais legal da escola se apaixonar por ele, o garoto Jaden Smith (filho de Will Smith) convence como o herói dessa praticamente refilmagem do original de 1984. Jaden Smith é legal, Jaden Smith é descolado e maneiro, e ainda dança break e tem trancinhas no cabelo, e isso basta para agradar a nova geração. O mestre da vez, Jackie Chan cumpre seu papel como treinador talentoso, porém adormecido pelas circunstâncias da vida, e o filme segue num ritmo lento, mas, não tão maçante que o original e fica evidente que o objetivo é levar a massa teen para o cinema sem medo de ser feliz.
Conseguiu, eu acho. Karatê Kid não tem nada demais, não pretente ser igual ao original, não se leva a sério a ponto de dar lição de vida na platéia, é só entretenimento, então, assista sem preconceito e sem medo de ser feliz.

Vírus (Carries/EUA/2009)




Road movie de suspense. Quatro amigos tenta fugir de uma epidemia viral num cenário pós-apocalíptico. Chris Pine (o novo capitão Kirk de Jornada das Estrelas) e Piper Perabo (12 é demais) são as estrelinhas do filme. Vale pela fotografia apocalíptica e os toques de suspense que lembram muito os contos de terror que passavam de madrugada na tv.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Rede de Mentiras



Rede de Mentiras (Body of Lies/EUA/2008) não traz nada de novo para os filmes do gênero, mas é competente naquilo que promete: muita ação, cenas eletrizantes e um ritmo frenético que prende do início ao fim.
Roger Ferris (Leonardo Di Caprio) é um agente do serviço secreto americano que realiza o chamado ‘trabalho em campo’, caçando células terroristas ao redor do mundo. Seu mandante na Cia é o veterano Ed Hoffman (Russell Crowe), um sujeito sangue frio que comanda à distância, todas as operações de Ferris pelo celular ou usando todas aquelas parafernálias tecnológicas que as produções americanas adoram mostrar.
Quando Ferris passa a trabalhar em conjunto com o serviço secreto da Jordânia, liderado pelo agente Hani (o excelente Mark Strong, de Syriana), a caça a um terrorista responsável por uma série de ataques nas principais cidade européias, coloca em xeque a relação profissional de Ferris e Hoffman.
Leonardo Di Caprio e Russell Crowe estão excelentes como sempre, mas, quem rouba a cena é o agente Hani, que de coadjuvante passa a ser uma das peças centrais da trama.
Ridley Scott conseguiu explorar um pouco dos dois lados da luta contra o terrorismo mundial e nos mostra que, caminhos e visões diferentes, podem perfeitamente alcançar um mesmo objetivo.
Um triller inteligente e bem costurado, fácil de entender e que ao mesmo tempo surpreende o público com a reviravolta final.
E cada vez eu gosto mais do Leonardo Di Caprio! Um ator que, apesar de ainda não ostentar a estatueta dourada, considero um dos melhores de sua geração. Sem contar que, finalmente ele abandonou aquela carinha de bebê chorão e se tornou um homem de verdade. E que homem, ui!

Trailer:

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Efeito Dominó



Jason Statham e seu fã clube que me desculpem, mas, 'Efeito dominó' (The Bank Job /2008) é uma das coisas mais horríveis que assisti nos últimos meses. Socorro!
No triller, Jason Statham é um golpista meio decadente que reúne uns amigos para realizar um roubo que vai garantir a aposentadoria de todos eles: assaltar o cofre de um banco local. Mas, não se trata de um roubo simples, nos cofres pessoais do banco, além de dinheiro e jóias, se encontram documentos e fotos que comprometem, desde a máfia e os bordéis locais, até policiais corruptos, agentes do MI-5, líderes de movimentos raciais radicais e até membros da coroa inglesa, desencadeando o tal 'efeito dominó' da tradução do filme.
No fim das contas, os ladrõezinhos de 5ª categoria que só querem garantir o futuro de suas famílias e sair do sufoco, se metem num jogo de gato e rato não só com a polícia, mas também com os criminosos que querem a todo custo recuperar os pertences que os incriminam.
Supostamente, o filme é baseado em fatos reais, de um roubo que aconteceu nos anos 70 e foi abafado pela imprensa justamente por envolver membros do alto calão da polícia britânica, além da família real, mas, o que poderia ser uma grande história, cai na mesmice quando Jason Statham (com sua canastrice habitual) entra em cena com sua turma. Sério, não tem necessidade de tanta ladainha para contar uma história sobre roubo de bancos que o público já está careca de ver. No início do filme, quando os amigos se reúnem para realizar o roubo, chega a ser interessante o fato de eles não fazerem a mínima idéia de como se rouba um banco. É verdadeiro, e isso cativa. Mas, no fim das contas, você fica esperando aquela hora em que o Jason Statham vai partir pra porrada com alguém, como nos seus filmes habituais. Não dá pra levar Jason Statham a sério!
Faltou ainda, um roteiro bem escrito, e diálogos mais descentes entre os personagens. Um romance menos óbvio entre Jason Statham e a ex-modelo Saffron Burrows (que se resume à um beijo morno) e que poderia muito bem ter ficado de fora do filme.
Em suma, Efeito dominó é mais um daqueles filmes que você assiste hoje e amanhã nem se lembra mais dele. Seria uma chance para Jason Statham sair de vez desse time de atores de filmes pancadaria, mas, ainda não foi dessa vez.
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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Fim dos Tempos





Mark Wahlberg é aquele tipo de ator que você espera ver em um papel de destaque em uma superprodução. Só que, na maioria das vezes ele é suplantado por outros personagens, como Leonardo di Caprio e em ´Os Infiltrados´ ou por macacos em ´Planeta dos Macacos`. É por isso que eu esperava um algo mais de Mark Wahlberg em Fim dos Tempos (The Happening/EUA/2008). É uma pena que, mais uma vez seu personagem foi suplantado, mas, dessa vez por um personagem digamos, não de carne e osso. No filme, um fenômeno sobrenatural abala as principais cidades norte americanas, onde em questão de minutos, pessoas são afetadas por uma espécie de toxina trazida pelo vento que faz com que o cérebro humano perca o senso de auto-preservação. Em meio a tudo isso, o professor de ciências vivido por Wahlberg, vive uma crise em seu casamento com a insossa Alma (Zooey Deschanel). E é buscando uma maneira de escaparem desse surto natural, que o casal vai se reencontrando e se entendendo. Uma coisa típica dos filmes catástrofe. O barato do filme é, de fato, esse inimigo que ninguém enxerga, e que, a cada ventania nos enche de medo e tensão. É uma pena que no fim das contas caia do discurso politicamente correto de ecologia e preservação do habitat natural do homem, um tema batido demais em tempos de aquecimento global. Digamos que o diretor M. Shyamalan, quis dar o seu recado, de uma maneira bem M. Shyamalan: fantasia versus realidade. E acostumados com o estilo do cineasta, esperamos um algo mais que simplesmente se perde entre uma cena de suicídio e outra ventania qualquer. É uma pena.
De qualquer forma, eu ainda espero um grande filme de Mark Wahlberg, sem que ele seja colocado em segundo plano por outro personagem. De carne e osso ou não.

Trailer: