Porque, todo filme é bom, o que atrapalha é a crítica. Ou não?
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sábado, 12 de março de 2011

O Discurso do Rei



Retratando uma parte da história que a maioria do público não conhecia (pelo menos eu e José Wilker), o diretor Tom Hooper, já carimbado por retratar a monarquia britânica na série televisiva Elizabeth I, conseguiu um feito: falar da trajetória do Rei gago de maneira simples, dinâmica e comovente. É difícil imaginar o Rei da Inglaterra, o homem mais poderoso do mundo como um sujeito inseguro.
Em uma performance comovente, Colin Firth (com seu Oscar merecido) faz do monarca britânico o Rei mais cativante que eu já vi.
Na linha ´coadjuvantes que roubam a cena´, chega Geofrey Rush, como o terapeuta Lionel Logue, com métodos nada ortodoxos que vai se tornar o braço direito do protagonista na sua luta contra a gagueira.
A amizade que o Rei e o plebeu desenvolvem, faz com que o público veja a realeza de outra forma, muito além dos escândalos (apesar deles estarem bem presentes no filme). A cena em que Lionel passa de terapeuta para amigo confidente no consultório é no mínimo paradoxal, porém, confere a nós uma intimidade com o personagem de Firth nunca antes retratada. É impossível não sentir pena do pobre (?) Bertie!
Helena Bonham Carter é um caso à parte. Finalmente consegui ver uma atuação digna dela que não fosse algum personagem excêntrico de Tim Burton! A esposa apoiadora do Rei também sofria, coitada, mas o que seria dele sem ela.
O filme tem uma fotagrafia linda, um roteiro que não é piegas e nem romantizado demais, uma luz e um enquadramento de câmera que favorecem a ação do filme. Sim, a trajetória do Rei gago tinha tudo para não empolgar uma ida ao cinema, mas, com tudo isso e ótima escolha de elenco, Tom Hooper conseguiu o que queria.
Não era meu preferido no Oscar, mas, tem seu mérito por ser um filme tão tocante! Sem contar que, Colin Firth, lindo de morrer na cerimônia recebendo seu prêmio foi um vislumbre!

sexta-feira, 4 de março de 2011

127 Horas



História real do aventureiro Aron Ralston (James Franco), um cara que conhece os canyons como a palma da sua mão, mas, por ironia do destino, em uma de suas aventuras corriqueiras, fica preso numa vala com uma rocha sobre o seu braço direito. É preso nesse buraco, que ele vai passar 127 horas se perguntando o que deu errado, repassar toda a sua vida e tentar encontrar um jeito de sair dalí.
Ora, aí você se pergunta: como fazer um filme, de no mínimo 90 minutos sobre um cara preso dentro de um buraco no canyon, no meio do nada?
Danny Boyle (diretor em Quem quer ser um milionário?), fanfarrão, alternou flashbacks, alucinações e claro, muita merchandising (a cena em que Aron lembra do gatorade esquecido no carro e as inúmeros comerciais de refrigerantes, genial) para criar o universo de Aron e sua aflição dentro do buraco. Funciona!
Aron é aquele sujeito que esquece o canivete suíço em casa, mas, nunca se esquece de levar a companheira câmera digital nas suas aventuras, objeto que é praticamente seu coadjuvante no filme. Era de se esperar nessa era globalizada e seus aventureiros 2.0.
A medida que o tempo passa e o perrengue se instala, pensar na morte é inevitável, e é nesses momentos que lamentar os erros e oportunidades perdidas do passado, como: a ex-namorada, os momentos passados com a família, aquele telefonema que você não atendeu antes de sair de casa, se tornam as grandes sacadas de Danny Boyle.
O formato vídeo-testemunho, também favorece os diálogos no filme, ficando imposssível não ser solidário ao pobre Aron.
James Franco não é aquele ator excepcional, mas, é a cara e o charme de Aron Ralston. Escolha acertada de Danny Boyle.
O fim, todo mundo sabe, Aron se tornou celebridade após o acidente, e os minutos finais do filme mostram seus trinfos posteriores, nada mais. E quem se importa? A cena em que Aron corta o próprio braço já prova que instinto de sobrevivência vai muito além de ter uma câmera digital na mão, é do ser humano lutar pela própria vida!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Vencedor



O Vencedor (The Fighter/2010) é a história real do boxeador Mickey Ward (Mark Walbergh), que cresceu à sombra do irmão Dick Eklund (Christian Bale), famoso por derrubar o ex-boxeador Sugar Ray Leonard.
O filme, indicado a 7 oscars e vencedor do prêmio de melhor ator coadjuvante (Christian Bale) e atriz coadjuvante (Melissa Leo), é o retrato de uma família decadente tentando viver do que restou da fama. Desde a perua louca, mãe dos lutadores (Alice vivida pela camaleoa Melissa Leo), passando pelo fracassado e viciado Dick e somando as irmãs quase que saídas de um filme de bruxas da Disney. Tudo na vida dessa gente é uma tristeza.
Após várias lutas mal sucedidas, Mickey decide tomar as rédeas da sua carreira e com a ajuda de Charlene (Amy Adams voluptuosa, haha) entra em pé de guerra com a própria família para se tornar um boxeador bem sucedido. Talento ele tem, falta garra para confiar em suas próprias habilidades e se tornar o vencedor do título.
Tal como outros filmes sobre superação nos esportes, ´O Vencedor´ não é sobre boxe e sim sobre as complexas relações familiares e como isso pode influenciar no seu fracasso ou na sua superação.
A maneira como é colocado o sentimento maternal de Alice e sua predileção pela ovelha negra da família, Dick, faz com que o personagem de Mark Walbergh, o tal vencedor, se torne um chato, incapaz de resolver seus próprios problemas. Isso quase acaba com o filme, mas, Mickey resolve levar o pugilismo para o lado mais profissional e aí sim seu presonagem cresce (não a ponto de superar os demais personagens, mas, enfim). Deve ter sido difícil para Mickey bater de frente com a mãe controladora e o irmão delinquente, mas, ele conseguiu!
Eu já falei aqui que adoro o Mark Walbergh, mas, definitivamente ele é engolido pelos seus coadjuvantes. Vai ver, é por isso que o destaque no pôster do filme seja para Christian Bale e não para ele.
´O Vencedor´ tem seu crédito pelas boas performances de Bale e Melissa, mas, a história simples de derrota x superação, também vai agradar o expectador. Não tem grandes reviravoltas, mas, isso não faz dele um filme ruim.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cisne Negro



Cisne Negro (Black Swan/EUA/2010) não é sobre a paixão da bailarina pela dança. É o mergulho total de uma bailarina na sua arte, sua entrega física, mental e emocional. É sobre ser obsecada pela perfeição, pela auto-disciplina, pela arte.
O filme retrata a vida da bailarina Nina (Natalie Portman) diante da maior oportunidade da sua carreira, ser a protagonista do clássico Lago dos Cisnes. Mas, ser a rainha do lago tem seus desafios, e o medo de não corresponder às expectativas da Companhia de dança, o receio de falhar e a pressão de ser substituída por alguém mais jovem, fazem com que Nina mergulhe em seus sentimentos mais íntimos e comprometa sua estrutura emocional.
A delicada Nina de Natalie Portman, nada mais é do que o melhor papel de sua carreira até hoje. É como se todas aquelas sequências de Star Wars e os filmes de Luc Beson no início da carreira não fizessem nenhum sentido. Natalie é a beleza e a ingenuidade do cisne branco e assustadoramente a personificação do cisne negro quando se transforma. Aliás, a metamorfose da personagem ao longo do filme é devastadora e vai muito além de uma transformação física. É uma transformação interna, que se expressa sem palavras, só através da dança.
O filme é belíssimo em todos os sentidos, na sua fotografia sombria, na direção de arte primorosa, na trilha sonora que faz do tema de Tchaikovski brilhante e finalmente pela direção de Darren Aronofsky que arquitetou tudo de forma perfeita.
É injusto pensar só em Natalie Portman no Oscar, uma vez que tudo em Cisne Negro é digno de aplausos após a cena final.
Ainda não vi todos os filmes do Oscar (e olha que os que eu vi são totalmente excelentes), mas, fica muito mais difícil pensar em algo melhor que Cisne Negro levando a estatueta dourada de melhor filme, direção e atriz esse ano.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Uma mãe em apuros



Com cabelos desgrenhados e um visual bizarro, que inclui uma camisola azul bebê com desenho de nuvens, Uma Thurman encarna uma mãe nova yorkina que vive a vida lôka de limpar a sujeira do cubículo onde mora, cozinhar, cuidar dos filhos, do marido, fazer compras, organizar uma festa de aniversário para a filha e ainda escrever um blog. E o que era pra ser um filme pra rir (e o filme vende essa imagem), cheio de clichês de mães loucas padecendo no paraíso, se torna um drama do que se tornou a vida da personagem após a maternidade.
A roteirista e diretora, Katherine Dieckmann, encara toda a rotina da personagem Eliza (Thurman) com muita sobriedade e reflexões bastante dignas, em que, a maioria das mães urbanas vão se identificar. No entanto, entre uma reflexão e outra, a diretora cai na banalidade de retratar coisas como: uma mãe neurótica que Eliza encontra no parque que cria o filho dentro de uma redoma anti-raios UVB, Eliza disputando roupas numa liquidação e disputando vaga no estacionamento da rua. São bobagens diante de outros dilemas muito mais válidos que poderiam ser discutidos no filme, descartável.
Minnie Driver (de Gênio Indomável), interpreta a melhor amiga de Eliza, e de longe, é a melhor personagem do filme, responsável pelas cenas mais engraçadas.
Resumindo: Uma mãe em apuros veste a roupa de comédia, mas, está mais para um drama moderno. Seus diálogos poderiam ser melhores e Uma Thurman é uma mãe lixo, sem um pingo de dignidade, pelamordedeus, ninguém é assim!
Entretanto, o filme vale pelas reflexões de Eliza como um todo, pelos seus textos no blog, por Minnie Driver, a melhor amiga que uma pessoa como Eliza poderia ter e pelos seus momentos de humor aqui e ali. Poderia ser mais, mas, nem tudo é perfeito.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Curtas - Parte 2

Lembranças (Remember me/EUA/2010)



A tentativa de Robert Pattinson de provar que não é apenas o vampiro hit do momento da saga Crepúsculo (aliás, uma das franquias mais equivocadas de todos os tempos, sorry crepusculetes). Só ficou na tentativa. Quem brilha no filme é sua parceira Emilie De Ravin (a Claire de Lost), mas a história do filme funciona. O jovem Tyler (Pattinson) vive em pé de guerra com o pai, um inescrupuloso advogado de Manhattan (vivido por Pierce Brosnan), enquanto tenta dar um rumo na vida. Mas, Tyler se vê metido em muitas confusões Big Apple afora e em uma dessas se depara com um policial linha dura (Chris Cooper) que o coloca atrás das grades após algumas provocações. Mas, seu companheiro de apartamento decide dar o troco, e é aí que entra Ally Craig (Emilie de Ravin), a filha fofa do policial. O plano é muito simples: deixar a garota totalmente apaixonada para desafiar o pai dela. Não precisa ter bola de cristal para deduzir o que vem a seguir, néam? Os dois se apaixonam pra valer (claro) e tudo seria muito previsível, com o galã se redimindo no final, não fosse a reviravolta surpreendente do fim. Recomendo!


O Livro de Eli (The book of Eli/EUA/2010)


Eu já falei que adoro filmes pós-apocalípticos? Pois é. Nesse triller protagonizado por Denzel Washington, Eli é praticamente uma Beatrix Kiddo de calças e ipod. Com uma missão: levar o livro sagrado (a bíblia) para um lugar onde ele será preservado. Eli segue rumo ao seu destino, enfrentando um bando de assassinos e bandidos caminho a fora, até se deparar com um inescrupuloso ´Rei do Western´ (o cenário do filme beira um filme de western, dos bons), denominado Carnegie (Gary Oldman, sempre excelente) que procura o tal livro sagrado desesperadamente, crendo que as palavras dele o farão ainda mais poderoso, extendendo seu domínio para muito além daquela pequena cidade perdida no meio do nada. O resto todo mundo imagina, muita ação e como o site omelete descreveu com maestria: ´... Denzel Washington mostrando toda a sua elegância na arte de chutar bundas e bem coreografadas lutas filmadas...´.
Destaque para a eterna Flashdance Jeniffer Bells (como a amante do Carnegie) linda, mostrando que o tempo passa, o tempo voa e esse pessoal dos anos 80 estão muito aí nas paradas né, gente?!


Salt (Salt/EUA/2010)

Quem é Evelyn Salt? Essa é a pergunta que permeia grande parte do filme. Angelina Jolie com toda sua malemolência, calças coladas e sexy appeal, encarna uma agente da Cia que é identificada como uma espiã russa, uma espécie de Jason Bourne da União Soviética. Muita ação, reviravoltas e lutas mirabolantes em um filme que inicialmente seria feito por Tom Cruise. Prefiro a Jolie (sério)!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Curtas - Parte 1

Para não dizerem que passei 2010 sem nenhuma critica que o valha, separei algumas resenhas de alguns filmecos que assisti esse ano.


A Última Música (The Last Song/EUA/2010)




Romance farofa com a Miley Cyrus (aka Hannah Montana) sobre uma adolescente revoltada com o divórcio dos pais, que vai passar as férias de verão com o pai (Greg Kinnear, a única atuação descente do longa) e o irmão Jonah (Bobby Coleman, de ´Ensinando a viver´, crescido e fofo). Durante as férias, a garota conhece Will, tipo um Backstreet Boy versão 2010 e vive um inesquecível romance de verão.
Eu achei a trilha sonora bonitinha, sobretudo a música tema cantada pela Miley/Hannah Montana, que se não surtar como Britney e Aguilera, tem tudo para sair do esteriótipo ´musa da galerinha do Disney Channel´ e se tornar uma cantora competente. O filme tem lá seus encantos, como as cenas em que o irmãozinho pentelho Jonah e o pai observam a aproximação da irmã e do namorado, além das conclusões ótimas de pai e filho sobre as mulheres, mas história em si é uma bobagem e a escalação de Miley para papel principal é um equívoco.


Karatê Kid (Karate Kid/EUA/2010)


Apesar do roteiro xarope do garoto que se muda com a mãe para o outro lado do mundo e sofre o pão que o diabo amassou na mão dos bad boys da escola/vizinhança, até encontrar um cara bacana que do nada decide ajudá-lo, lhe ensinando toda a sabedoria das artes marciais e fazendo do garoto um gênio do Kung -fu, além, claro, da mocinha mais legal da escola se apaixonar por ele, o garoto Jaden Smith (filho de Will Smith) convence como o herói dessa praticamente refilmagem do original de 1984. Jaden Smith é legal, Jaden Smith é descolado e maneiro, e ainda dança break e tem trancinhas no cabelo, e isso basta para agradar a nova geração. O mestre da vez, Jackie Chan cumpre seu papel como treinador talentoso, porém adormecido pelas circunstâncias da vida, e o filme segue num ritmo lento, mas, não tão maçante que o original e fica evidente que o objetivo é levar a massa teen para o cinema sem medo de ser feliz.
Conseguiu, eu acho. Karatê Kid não tem nada demais, não pretente ser igual ao original, não se leva a sério a ponto de dar lição de vida na platéia, é só entretenimento, então, assista sem preconceito e sem medo de ser feliz.

Vírus (Carries/EUA/2009)




Road movie de suspense. Quatro amigos tenta fugir de uma epidemia viral num cenário pós-apocalíptico. Chris Pine (o novo capitão Kirk de Jornada das Estrelas) e Piper Perabo (12 é demais) são as estrelinhas do filme. Vale pela fotografia apocalíptica e os toques de suspense que lembram muito os contos de terror que passavam de madrugada na tv.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O casamento de Rachel



O diretor Jonathan Demme (de Silêncio dos Inocentes e Filadélfia) traz um olhar documentarista para o ritual das cerimônias de casamento americanas. Pelo menos, as primeiras cenas de 'O casamento de Rachel' (Rachel Getting Married/EUA/2008) com todos os preparativos para a cerimônia de casamento da irmã mais velha da problemática Kim (Anne Hathaway) faz o público pensar assim. Mas, o que se vê, ao longo do filme é que o tal casamento do título é apenas um pano de fundo para questões familiares complexas. E essa é a grande sacada do diretor.
Quando Kim sai da clínica de reabilitação diretamente para o casamento da irmã Rachel (Rosemarie DeWitt, ótima), o caos se instala. Mas, não pense em recaídas e Kim estragando o grande momento da irmã, porque, o filme não se trata disso. O simples fato da presença de Kim entre a família, traz à tona as feridas não cicatrizadas de um histórico de dependência química e uma tragédia familiar. Da irmã que se sente em segundo plano até o divórcio dos pais e cada um seguindo a sua vida, tudo vem à tona em sequências que explodem na tela.
A opção de Jonathan Demme em filmar tudo como se fosse um observador passivo, faz com que o público se sinta parte dos convidados da festa louca de Rachel. Não que isso seja um feito, mas, imprime um ar mais leve ao turbilhão dramático que toma conta da história.
No mais, o trio Anne Hathaway, Rosemarie Dewitt e Debra Winger estão primorosas nas cenas mais fortes do filme, dando um tapa na cara do expectador.
Esse olhar reflexivo sobre a família, a questão social (preconceito? Onde?) e a vida, fazem de 'O casamento de Rachel' um filme imperdível!

Trailer:

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quem quer ser um milionário?



O azarão do Oscar 2009 é o filme fofuxo desse início de 2009. ‘Quem quer ser um milionário?’ (Slumdog Millionaire/ EUA/Inglaterra/2008), é a reunião da mais antiga fórmula do cinema para encantar as platéias: aventura, drama e romance. Não é à toa que o Diretor Danny Boyle levou fácil 8 estatuetas para casa.
O jovem Jamal Malik (Dev Patel), um pé rapado ajudante de call center, narra suas aventuras enquanto é interrogado pela polícia acusado de fraude, por ser o participante a ir mais longe no programa de maior sucesso da tv indiana ‘Quem quer ser um milionário?’. Ninguém acredita que Jamal acertou todas as respostas porque as perguntas estão intimamente ligadas a algum acontecimento marcante da sua vida.
O filme tem como pano de fundo a questão social da Índia, e no maior estilo ‘Cidade de Deus’ narra os rumos que a vida do protagonista Jamal (the good guy), seu irmão Salim (the bad guy) e a amiga e eterno amor de Jamal, Latika (Freida Pinto) tomam desde a infância.
O filme empolga por fazer o público embarcar junto com os personagens nessa aventura. Os pequenos Jamal e Salim são a coisa mais fofa desde Abigail Breslin em ‘Pequena Miss Sunshine’.
O filme emociona por falar de amor sem ser piegas, pois, o amor de Jamal por Latika é tão puro e a fórmula do romance é tão simples, que até a explicação óbvia para os encontros e desencontros dos personagens: o destino, é plausível para o público (e porque não?).
‘Quem quer ser um milionário?’ é uma aventura envolvente, um drama coerente e um romance tão bonitinho. E tudo isso se encaixa no roteiro bem escrito de Simon Beaufoy (que óbvio levou sua estatueta dourada também).
Não era meu favorito no Oscar, mas, é imperdível!

Trailer:


quarta-feira, 11 de março de 2009

O curioso caso de Benjamin Button




‘O curioso caso de Benjamin Button’ (The Curious Case of Benjamin Button/EUA/2008) é aquele tipo de filme que você espera ansiosamente, não só pelo elenco de estrelas, como pela direção primorosa de David Fincher, um dos melhores diretores dos últimos tempos, na minha opinião. ‘Seven’ entrou fácil na minha lista dos melhores da década de 90 e ‘Zodíaco’ certamente entrará na minha lista dos melhores de 2000-2009. Mas, Benjamin Button chegou e de cara recebeu 13 indicações no Oscar, para o ator estelar e para o diretor competente, mas, não levou nenhum dos dois. Algo errado? Acho que não.
O filme conta a história do bebê Benjamin que é abandonado na porta de um asilo pelo próprio pai por ser considerado um monstro. O pequeno Benjamin, nasce velho e às portas da morte, com todas as doenças imagináveis que vem junto com a 3ª idade. Mas, curiosamente, à medida que cresce, como um milagre, Benjamin rejuvenesce, invertendo o caminho natural da vida.
O filme, assombra pelos efeitos visuais e pela maquiagem. O bebê Benjamin velho e enrugado abandonado no asilo, o corpo senil ao longo da sua infância e o incrível processo de rejuvenescimento são coisas que cativam o público. Na verdade, não vemos a hora de Benjamin assumir a sua ‘verdadeira forma’ e ganhar o mundo. Mas, é justamente aí que o filme se perde. David Fincher perde tempo demais explorando a velhice de Benjamin e explicando o que já está implícito nas imagens.
O romance de Benjamin e a pequena Daisy (Cate Balnchett) que tem quase a mesma idade, mas, são separados pela diferença de idade aparente (Benjamin velho/Daisy jovem), não ganha força ao longo do filme. Na verdade, faltou alguma coisa para eu acreditar nesse romance e não tem nada a ver com as atuações de Brad Pitt e Cate Blanchett. Na verdade, Fincher não conseguiu transpor para as telas aquele romance arrebatador retratado nesse tipo de filme. É uma pena.
Ainda assim, ‘Benjamin Button’ tem os seus méritos, além da excelente maquiagem, o elenco de apoio e a fotografia fazem dele um dos filmes imperdíveis do ano. Sem contar, que não é todo dia que vemos Brad Pitt gostosão em uma lambreta turbinada e relembramos como ele era perfeito aos 20 anos, quando arrebatou a mulherada em 'Telma & Louise'. E, meu Deus, Cate Blanchett é a mulher mais linda do mundo, mesmo velha!
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Trailer:
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Noivas em Guerra
(Bride Wars/EUA/2009)


Porque as pessoas vão ao cinema assistir filmes como ‘Noivas em guerra’? Eu explico: porque tem dias em que, só o fato de você entrar na sala de cinema e ficar diante da tela grande fazem o seu dia ser muito melhor; porque, tem filmes que você sabe que é lixo, mas, pelo motivo acima você assiste sem preconceitos; porque eu sou lesada mesmo e assisto o filme menos pior naquela semana em que você espera grandes estréias e nada acontece. Anyway, vamos ao filme: Blá blá blá duas amigas de infância (Kate Hudson e Anne Hathaway) sonham em se casar no Plaza em Nova York com toda a pompa e circunstância que uma noiva exige, até que por um erro de datas, o casamento de ambas são marcados para o mesmo dia. Aí começa aquela coisa sem noção de uma sabotar o casamento da outra, com direito a requintes de crueldade, típicos de ‘noivazillas’. Eu nem gosto muito da Kate Hudson, acho ela extremamente bonita, porém sem carisma. Anne Hathaway, oh Anne! Eu gosto de você, mas, acredito que esteja bem melhor em outro casamento, o de Rachel! Noivas em Guerra entretém à base de clichês e não acrescenta nada na vida de ninguém. Bem dispensável!



Sex and the city - O filme
(Sex and the city/EUA/2008)




O que eu esperava de ‘Sex and the city – o filme’, era muito mais que as 2 horas e 20 minutos arrastadas do longa. Esperava que Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlote (Kristin Davis) estivessem mais maduras e que tivessem um final coerente com a evolução que sofreram ao longo da série de sucesso. Mas, o que concluí quando o filme terminou é que o filme está mais para uma versão glamourosa de ‘Amigas para sempre’, protagonizado por Britney Spears, que para um gran-finale digno da série de tv. Os dilemas bobos das personagens, nos remetem ao início da série quando as quatro amigas semi-trintonas se descabelavam por amor e sexo, o que, ao longo da série foi muito bem resolvido. Não havia necessidade de tanto drama em cima do romance de Carrie e Mr. Big (Chris Noth), uma vez que ambos, maduros e bem resolvidos podiam muito bem resolver a parada nos primeiros minutos do filme. Mas, é justamente essa bobagem que dá fôlego à trama e surpreendentemente, a novata Jennifer Hudson é quem tem mais jogo de cintura e representa melhor as mulheres no filme. Aliás, nunca pensei que fosse dizer isso, mas, a ex-American Idol é a melhor coisa de Sex and the city, tirando, claro, os figurinos grifados que deixam qualquer uma de nós com vontade de ser Carrie e as tomadas de Nova York que fazem da cidade o melhor lugar para se viver no mundo. Sex and the city – o filme é assim, muito glamour e pouca história, mas, para quem é fã da série e estava com saudade das quatro amigas, pode ser uma diversão. Mas, eu juro que esperava muito mais.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Foi apenas um sonho



Acho que um dos filmes mais aguardados por mim este ano, foi ‘Foi apenas um sonho’ (Revolutionary Road/EUA/Inglaterra/2008). Não só por reunir Kate Winslet e Leonardo Di Caprio após o estrondoso sucesso e motivo de bocejos atuais 'Titanic', mas, muito pela direção de Sam Mendes, um diretor que eu admiro muitomente.
Entendam, nada contra o megalomaníaco filme de James Cameron, eu curti na época, mas, hoje em dia não consigo ver mais nem uma cena sem bocejar. Anyway, é inegável a química entre Di Caprio e Winslet, assim, a escolha não poderia ser mais acertada para o jovem casal Frank (Di Caprio) e April (Winslet), em um dos dramas mais surpreendentes do últimos tempos.
O filme é sobre esse jovem casal que em meio ao estilo de vida norte-americano da década de 50, percebem que estão se tornando justamente aquilo que não queriam ser. April é uma dona de casa infeliz, enquanto Frank vê em si mesmo, se repetir a mesma história de seu pai, com um trabalho insignificante e uma vida familiar vazia. Ambos estão convictos que, todos os planos que traçaram para suas vidas, se perderam em algum momento entre a idealização do casamento, a chegada dos filhos e a aceitação de um estilo de vida que nunca desejaram. Decididos a salvar seu casamento e finalmente serem felizes, eles resolvem se mudar para Paris.
Sam Mendes retrata com muita verdade, o que se passa dentro das belas casas norte-americanas, seus conflitos e a hipocrisia da sociedade dos sonhos. Frank e April estão em um turbilhão que explode a todo momento, mostrando que a realidade da vida a dois pode ser muito mais dura e complexa do que imaginamos. Neste aspecto, a dobradinha Di Caprio e Winslet não poderia ser mais perfeita. Tanto Di Caprio, quanto Winslet, mereciam uma indicação ao Oscar, bem como o filme, que surpreende e te prende do princípio ao fim.
É uma pena que, mais uma vez, e talvez por conta do circo armado que a Academia se tornou, nenhum deles tenha sido lembrado.
Leonardo Di Caprio, cada vez mais maduro (rugas, até que enfim!) e que ator excepcional!
Eu ainda não assisti ‘O Leitor’, mas, tenho certeza que Kate Winslet poderia ter sido indicada tranqüilamente duas vezes, além de ser minha favorita ao prêmio.
Resta aqui, o meu muito obrigado a Sam Mendes, pelo primeiro filme do ano que valeu realmente a pena esperar!


Trailer:

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ao Entardecer





Ao Entardecer (Evening/2007) não é um drama diferente dos que já vimos por aí. Conta a história de um grupo de jovens que diante das circunstâncias da vida, fazem escolhas que vão mudar para sempre o futuro de cada um deles.
O cenário, um casarão e uma bela paisagem à beira mar, divide a produção em duas épocas distintas. A primeira se passa nos dias de hoje, quando Vanessa Redgrave (Ann) está em seu leito de morte e passa a falar de uma parte do seu passado nunca antes revelada. A segunda parte da história é justamente a lembrança da personagem, quando a então jovem Ann, (interpretada por Claire Danes) vai para o casamento de sua melhor amiga Lila Wittenborn (Mamie Gummer, vivida mais tarde por Meryl Streep). O que se revela ao longo do filme, é que tanto Ann como Lila são apaixonadas pelo mesmo homem, o jovem médico Harris Arden (Patrick Wilson) e que este triângulo amoroso vai mudar a vida dos três jovens para sempre.
E por falar em escolhas, o elenco foi, deveras, uma escolha acertada. Claire Danes e Vanessa Redgrave, fazem de Ann uma personagem que cresce ao longo da trama, que mesmo após muitos anos, ainda se questiona sobre as escolhas do passado.
Em outro prisma, temos a filha mais jovem de Ann, vivida por Toni Collete, que assim como a mãe, se confronta com um momento delicado, onde também precisa fazer uma escolha que vai dar outro rumo à sua vida. Toni Collete, como sempre, brilhando em cena.
O galã da trama, vivido por Patrick Wilson, não compromete o triângulo amoroso do filme, mas, o destaque do elenco masculino é o irmão problemático de Lila, Buddy em uma ótima atuação de Hugh Dancy.
Como eu disse no início, não há nada de novo em ‘Ao entardecer’, mas, a excelente fotografia, o elenco afinado e a história bem contada, fazem dele um filme que vale a pena assistir.
Trailer aqui.

Nossa vida sem Grace




Stanley Philips (John Cusack) é um pai de família que sempre sonhou em servir o seu país, mas foi dispensado do exército por usar óculos. Sua esposa Grace, por outro lado, foi convocada para servir no Iraque, deixando para trás o marido e as duas filhas, obrigando Stanley a criar sozinho as duas meninas. Quando tragicamente Grace morre em combate, Stanley embarca em uma viagem rumo a um parque de diversões, sabendo que, a diversão não vai durar pra sempre, mas que pode ser o único jeito de encontrar as palavras certas para contar o ocorrido às filhas.
John Cusack (cada vez mais parecido com Kevin Spacey) não deixa a desejar em um personagem diferente de todos os outros que ele coleciona ao longo da carreira. O Stanley Philips de Cusack é triste e deprimido, um retrato da frustração e falta de expectativas de um homem que não conseguiu atingir seus objetivos na vida. O roteiro e direção acertados de James C. Strouse e a trilha de (olha) Clint Eastwood fazem do filme muito mais que um filme sobre perda e recomeço, ou alguma crítica à guerra no Iraque. Isso porque, Grace, que só conhecemos pela voz na mensagem da secretária eletrônica, é quase que onipresente em todo o filme e exerce uma influência tão grande na vida dos personagens que até para nós, expectadores, fica difícil imaginar a vida de Stanley e sua filhas sem essa mulher marcante.
‘Nossa vida sem Grace’ (Grace is gone/2007) divide opiniões. Há quem diga que o filme segue à risca a fórmula para emocionar o público. Mas, se a intenção era seguir fórmulas, taí uma fórmula que funcionou comigo. Personagens consistentes, trilha bem feita e um desfecho que faz o personagem central crescer. Foi impossível não me emocionar...

Trailer:


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Romance



Eu tenho uma certa preguiça do diretor Guel Arraes. 'O auto da compadecida' é totalmente excelente, mas, desde então virou fórmula instantânea do diretor, ou seja, comédia rasgada x diálogos rápidos e Marco Nanini, lógico (nada contra o Marco Nanini, que fique claro).
Quando fui assistir Romance, o novo filme do diretor, me deparei com um filme tão bem feitinho e bonito, que nem a presença de Marco Nanini e um 'nordestismo' incluído (esqueci de mencionar isso na fórmula batida de Arraes) fez o filme perder a graça. Me surpreendi!
Wagner Moura e Letícia Sabatella, são Pedro e Ana, dois atores de teatro que estão em cartaz com a peça ‘Tristão e Isolda’. O romance retratado nos palcos, vira realidade quando os dois atores se apaixonam. Mas, diferente do amor eterno e perfeito de Tristão e Isolda, o romance de Pedro e Ana é ameaçado quando Ana se torna uma estrela de TV e Pedro, com ciúmes, conclui ser impossível continuar tendo a mesma paixão e entrega pelo teatro e ao mesmo tempo fazer televisão.
Tendo como pano de fundo a história de amor de Tristão e Isolda, os encontros e desencontros de Pedro e Ana permeiam todo o filme, e esse é o ‘insight’ de Guel Arraes.
Wagner Moura e Letícia Sabatella estão tão bem em cena, que você realmente acredita que Pedro e Ana são a versão moderna de Tristão e Isolda, e torce para que finalmente os amantes tenham um final feliz. Os atores estão bem a vontade, assim como o restante do elenco, bem afinados.
Romance foi minha grande surpresa dos últimos meses e entrou para a minha lista de filmes brasileiros que valeu a pena ter visto no cinema. E eu me rendo, Guel Arraes tem salvação! Só falta parar com essa bobagem de colocar Caetano Veloso em todas as suas trilhas.

Trailer:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Chega de saudade



A competente cineasta Laís Bodanzky resolveu finalmente dar o ar da graça novamente, e trouxe para as telas o que acontece nos famosos ‘Bailes da saudade’, mais ou menos como uma ‘balada’ para o pessoal da 3ª idade, onde os saudosistas dos grandes bailes de antigamente se reúnem para dançar os clássicos do cancioneiro nacional.
‘Chega de saudade’, mistura personagens reais e fictícios e os ambienta em uma atmosfera cheia de luzes de neon, sapatos de dança devidamente engraxados, saias rodadas, muita música e um clima tão cativante, que dá vontade de sair dançando pelo baile.
Temos o casal recordista de troféus nos bailes de antigamente, lidando com a frustração de serem substituídos por gente mais nova, as mulheres que pagam para serem tiradas pra dançar, as que não são chamadas pra dançar, as que só querem aproveitar a noite e dar um tapa na solidão, entre outros tipos, todos embalados ao som de Elza Soares e Marku Ribas no palco.
Todas as histórias são ótimas, mas, a de Bel (Maria Flor) que vai para o baile apenas para acompanhar o namorado Marquinhos (Paulo Vilhena) que é o DJ da noite e se encanta pelo tipo malandro do baile (vivido por Stepan Nercessian) é a mais explorada no filme.
As fotografias e os cartazes colados na parede do baile, além das músicas minuciosamente escolhidas para embalar a noite, dão o tom, fazendo do filme de Laís Bodanzky um dos melhores filmes nacionais do ano (para não dizer o melhor).
É impossível não se emocionar e não querer, pelo menos uma vez na vida, pelo menos por curiosidade, sair rodopiando em um desses bailes da saudade Brasil afora.
Filme divertidíssimo!

Trailer da música: 'Você não vale nada mas eu gosto de você'



Onde os fracos não tem vez



Dentre todas as críticas que li sobre o filme dos irmãos Coen, uma que não me saiu da cabeça foi a que disse que o filme talvez não tivesse um final. E foi pensando nisso, que assisti ao filme.
A adaptação do livro de Cormac McCarthy, um faroeste moderno, traz para as telas Anton Chigurh, um assassino sanguinário praticamente saído de um filme de terror interpretado por Javier Barden. Um jogo de gato e rato que, levando em conta o título original do filme, praticamente entrega o desfecho de bandeja para o público: ‘o cowboy caçador Llewelyn Moss (vivido por Josh Brolin) não tem a menor chance’.
Na contramão, temos o xerife vivido por Tommy Lee Jones, que surge como um mero coadjuvante no início do filme e cresce à medida que o filme atinge o seu clímax (ou seu anticlímax).
No final das contas, temos um suspense totalmente excelente até a metade do filme e um drama da metade pro fim que faz com que se perca todo o fio da meada. Mas, eu acho que a intenção é essa mesma. Quando o letreiro sobe, fica uma interrogação e essa sensação de que o filme não teve mesmo um final. E talvez nem tenha mesmo.
Desde o princípio do filme, é de se esperar um desfecho nada feliz para os personagens, levando em conta que, logo na cena inicial o assassino Anton Chigurh mostra logo a que veio.
Eu não sei se ‘Onde os fracos não tem vez’ mereceu mesmo o Oscar. O trio Javier Barden, Tomy Lee Jones e Josh Brolin são excelentes. Mas, desfecho anticlimático por desfecho anticlimático, os fãs dos irmãos Coen que me desculpem, mas, eu ainda prefiro ‘Sangue Negro’.

Ficha:
Filme: Onde os fracos não tem vez (No Country for Old Men/EUA/2007)
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Tomy Lee Jones (Ed Tom Bell); Javier Barden (Anton Chigurh); Josh Brolin (Llewelyn Moss); Woody Harrelson(Carson Wells); Kelly Macdonald (Carla Jean Moss).
Trailer aqui.

Ganhou 4 Oscars, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem) e Melhor Roteiro Adaptado.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um amor para toda a vida



Eu meio que me canso de filmes de época de vez em quando, sabe. Em especial, quando querem promover às custas do público, atores recén saídos de seriados de sucesso, no caso, a ex-The O.C, Misha Barton.
Então, o que se segue é muito óbvio: melodrama com requintes de novela mexicana e uma trilha sonora que tenta marcar o romance, mas, acaba por cair na cafonice.
O filme se passa em duas épocas distintas: a segunda guerra mundial, onde três amigos estão à caminho do combate, e os anos 90, onde um jovem irlandês encontra um anel de ouro no meio dos destroços de um avião. Intercalando esses dois momentos, a história se arrasta por quase 2 horas, onde o passado e presente se interligam. Mas, não se enganem, é tudo clichê dos mais mixurucos.
O elenco também, não poderia ser pior. Além da mocinha Misha Barton que faz a personagem principal quando jovem, temos uma Shirley McLaine totalmente perdida em cena. Fora o trio de amigos que parecem recén saídos de um catálogo de moda, lindos, porém inexpressivos.
A conexão entre passado e presente é tão confusa, que você se pergunta várias vezes o porque de certas cenas e personagens. E no fim das contas ainda temos que engolir uma história paralela sobre o Exército Republicano Irlandês que não tem a menor conexão com a trama principal.
Eu realmente não sei o que o diretor Richard Attenborough (de Chaplin e Ghandi) estava pensando.




Meu nome é Shirley McLaine e eu não precisava desse fiasco em minha carreira!







quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona




O amor pode ser racionalizado? Esta sempre foi a minha interrogação quando assistia algum filme do Woody Allen. Sobretudo os filmes de Manhattan.
Ontem, ao comprar o ingresso para Vicky Cristina Barcelona, e depois de ter lido algumas críticas sobre o filme, me fiz a mesma pergunta. Mas, dessa vez eu tive uma resposta à altura.
No filme, as amigas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) viajam de férias para Barcelona. Vicky, com o objetivo de estudar a arte catalã e se preparar para seu casamento nos próximos meses. Cristina, quer dar um sentido à sua vida, quem sabe uma nova paixão que a faça compreender o sentido do amor. As duas amigas seguem felizes com seu tour por Barcelona, até que um dia conhecem Juan Antonio (Javier Barden), um pintor recén separado da problemática Maria Helena (Penélope Cruz), que muda totalmente os rumos da viagem de Vicky e Cristina.


Eu adoro os diálogos francos de Woody Allen. A impressão que eu tenho é que ele sabe exatamente o que o público precisa ouvir naquele momento.
O Juan Antonio de Javier Barden, soa tão espanhol, que parece recén saído de um filme de Almodóvar, assim como Penélope Cruz, a Maria Helena louca.
A semi-estreante Rebeca Hall, acaba sendo a coadjuvante/protagonista perfeita, com seus trejeitos e aspirações yankees, fazendo o contraponto com Scarlett Johansson, não muito diferente do que costuma ser, mas, nesse caso, perfeita para o papel.
A conclusão (previsível para alguns), só serve para mostrar que, nem sempre as pessoas dão grandes reviravoltas em suas vidas, mesmo que o momento seja propício para isso. É a vida real e as relações amorosas mais uma vez sendo discutidas, o que me levou a crer que: racionalizar o amor? Não. Mas, podemos racionalizar quase tudo que envolve a nossa vida, até os rumos da nossa vida amorosa.